23 agosto 2014

FESTA DO ROSÁRIO EM DORES DO INDAIÁ


A Festa do Rosário é um dos maiores eventos culturais e turísticos de Dores do Indaiá, mobilizando à população local e turistas durante quatro dias do mês de agosto, mas ela começa a ser oficialmente preparada desde o mês de maio, através de ensaios periódicos dos ternos e também da organização por parte da Igreja. De cunho principalmente religioso, a Festa do Rosário é ligado a Igreja Católica, com devoção à Nossa Senhora do Rosário.

Não se sabe ao certo quanto os louvores a Nossa Senhora do Rosário iniciaram-se no município, o que se sabe é da criação em 1832 da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, que pode ser um dos indícios para essa devoção. Entre os fatos curiosos que ocorreram ao longo do evento foi em 1947, quando a Igreja Católica não teve mais relação com realização da Festa do Rosário na cidade devido uma agressão de um congadeiro a um pároco da época. Somente em 1956, o Bispo Dom Manuel permitiu que a festa acontecesse, conseqüentemente, os ternos voltaram a ter íntima ligação com a Igreja Católica.

Já em meados da década de 1970, foi criada a Associação da Congada de Nossa Senhora do Rosário da Paróquia de Dores do Indaiá que era internamente dividida em três bairros: Bairro Juiz de Fora, São José e São Sebastião, sendo que cada um levantava um mastro na frente da Igreja do Rosário.

Hoje, a realização fica na responsabilidade da Paróquia de Nossa Senhora das Dores (1805), que é vinculada a Diocese de Luz, e dos grupos da congada.

ESTRUTURA BÁSICA DA FESTA

> Primeiro dia: Alvorada, levantamento dos mastros e cavalhadas;
> Segundo dia: Procissão grande e missa celebrada na Igreja do Rosário;
> Terceiro dia: Passagem das coroas e pagamento de promessas;
> Quarto dia: Descida dos mastros.

Atualmente a Festa do Rosário é composta por “ternos de origem” e por “ternos de enfeite”. Os “ternos de origem” são aqueles que vivenciam o resgate de Nossa Senhora pelos nativos (Contra-dança, Catupés, Congos, Moçambique), já os “ternos de enfeite” não possuem relação nenhuma com o mito de origem, formaram levantados em uma história recente para louvar a Nossa Senhora. A festa tem em torno de 30 ternos desfilando na cidade, sendo que alguns desfilam em festas nas cidades da região de Dores do Indaiá.

A ocorrência do congado transforma o ambiente da cidade em vários aspectos. Na economia, há uma grande movimentação de recursos financeiros, seja de residentes de Dores, seja de turistas, na utilização do comércio e serviço local e também dos equipamentos turísticos (bares, restaurantes, hotéis e pousadas); no aspecto social, onde pessoas das várias partes da cidade se mobilizam entorno da festa religiosa a partir dos mesmo princípios, sejam elas brancas, negras, pardas, homens ou mulheres, idosos ou crianças; e também no turismo, cujo evento é um dos maiores impulsionadores de visitantes, destacando-se Minas Gerais (capital e interior) e também estados vizinhos, como São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.

A importância da festa para o município foi revigorada através da institucionalização do evento como Bem Imaterial de Dores do Indaiá através do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural. Assim, mais que valores materiais atribuídos a realização da Festa do Rosário, aquilo que não é tangível, não é paupável é essencial para o fortalecimento e o sempre rejuvenecimento da festa.

TERNOS DA FESTA DO ROSÁRIO DE DORES DO INDAIÁ

> BAIRRO SÃO SEBASTIÃO: Caixinha de Bombaixo, Congo Penacho, Contra-dança, Catupé do Reco-Reco, Catupé-Tamboril, Moçambique, Pérolas do Rosário;
> BAIRRO JUIZ DE FORA: Contra-dança, Damas de Cristal, Catupé-Tamboril, Catupé do Pandeiro, Pampas Gaúcho, Reco-Reco, Congo Vilão, Congo Real, Catupé do Congado, Moçambique;
> COMUNIDADE ANTÔNIO MARTINS (BAIRRO SÃO SEBASTIÃO): Contra-dança, Estrela da Guia, Catupé Pandeiro, Congo Vilão, Moçambique;
> BAIRRO SÃO JOSÉ: Contra-dança, Rosas de Ouro, Caixinha e Bombacha, Estrela do Oriente, Catupé do Pandeiro, Catupé do Reco-Reco, Catupé Tamboril, Catupé Congado, Congo Real, Moçambique.
Fonte: Folha do Indaiá.